
Pois bem, na base da farofa é uma expressão que o Marvin Marciano usava na maravilhosa animação Duck Dodgers in the 24 1/2th Century, inspirada nos cartoons do gênio da animação, Chuck Jones. E quem assiste, dá muitas risadas com as dublagens inesquecíveis e com a convivência entre o Capitão e o Cadete.
E é sobre convivência que quero falar. No desenho, o ca-de-de-te sempre está de prontidão e tem a atitu-tu-tu-de certa face a cada comportamento bizarro de Duck Dodgers. Mas a vida não imita a arte, pelo menos aqui em casa. Estou completando 9 anos de casamento amanhã e ainda me surpreendo com meu marido. E em muitos sentidos, o que é delicioso e desafiador ao mesmo tempo… Esse desconhecido que me fascina e me leva às alturas sem cobrar nada por isso.
Minha querida terapeuta sempre assinala que, o fato de algumas vezes você olhar nos olhos do outro e saber o que ele está pensando, não substitui uma boa conversa. E foi numa dessas que ele me lembrou que se identifica com o algumas idéias straight edge que, segundo a wikipédia, "pode ser definido como uma contra cultura, modo de vida, ou como uma forma de resistência, abstendo-se de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas." A fala de um dos integrantes da "tribo" é reveladora:
Significa autonomia em vários sentidos, especialmente, em primeiro lugar de não ceder à pressão de grupo e às tradições culturais para consumir certas coisas e participar de certos "rituais sociais" (bebidas, drogas, etc…) que você considera nocivos, ou pelo menos, pouco atraentes. E em segundo lugar é autonomia no sentido de não deixar substâncias químicas e códigos de conduta influenciarem suas decisões e afetarem sua capacidade de analisar a realidade. Enfim, o Straight Edge não é um movimento, é uma idéia, uma postura de vida e uma maneira de vivenciar o punk.
Sim, nós adoramos o punk aqui em casa. E pensando na fala desse rapaz, vejo quanto meu marido leva sua vida livremente. O que é, sem sombra de dúvida, muito desafiador para mim. Claro, estou falando de ser vegetariano, não consumir drogas (ainda sou usuária de nicotina), não abusar do sal… Mas igualmente falo dessa postura "desprendida" face aos códigos morais, ao consumo, aos valores que nos são impostos… Não chega a ser algo que ele queira atingir, pois ele é assim hoje. Bonito de ser ver…
Como não acretido nessa estorinha do bom selvagem, vejo que é algo que se precisa conquistar, como ele fez. Afinal, o cerumano é mutável e eucarionte. Ninguém nasce assim e ao mesmo tempo não dá para ser livre repentinamente. A gente começa aos poucos e vai conhecendo os próprios limites. Entendendo como a sociedade pós-modernosa e os valores ou reprimendas familiares nos influenciam ou influenciaram.
E vou parando por aqui, pois não vou falar que estou nessa busca há seis anos ou mais e que adoro a moda punk, coisa que inexiste no guarda-roupa do meu bofinho. Também não quero lembrar de uma miss que precisou entrar e sair da indústria do concurso na Venezuela (foi pedido que ela participasse no ano seguinte pois ainda não estava pronta) para perceber que seu interior não faz diferença alguma na hora da disputa. Pois é, a gente muda, nem que seja na base da farofa ou do bisturi. Antes tarde do que mais tarde.
TO BE CONTINUED…