Hoje foi dia de feira, de terapia, de pensar que eu esqueci os aniversários das pessoas da faculdade que eu mais amo. É um mês especial, numa época muito especial da minha vida. Mas, vamos à feira sinhá?
No caminho, reparando na perua que me levava sem atrasos ou sacolejos para o outro lado da cidade, o dia começou bem. Como de costume, reparei na disposição de parafusos e suas arruelas. Nas senhora que lia mais um livro espírita. E nas placas, claro. Uma delas anunciava a lotação máxima em alto e bom Português: passageiros mais motorista. Parergas neles! E por baixo que é para não doer. A gente paraliponema, mas com carinho claro.
E como tudo é vaidade, ainda mais quando o sol está mais quente, estava eu de corturnos, cintos com tachas, bermuda e uma blusa preta. Nada feminino, mas deu para andar bastante e passar um calorão. Suando em bicas e com uma sacolinha na mão fui atrás das ofertas. Obviamente já preparada para os inúmeros "bom dia morena" que ouviria. Well, preto não é marron, mas isso não vem ao caso.
É que, se moça bonita não paga (a gente tem que acreditar, né?), não leva nada… Mas que sai do programinha com o ego massageado, ah isso sai. Até rosa ganhei. Chegou desfolhando em casa de tanto calor. Coloquei-a num copo de vidro de requeijão, em cima da pia. Veremos como estará pela manhã.
Só que mamãe já dizia pra comer o filé no final, faço mesmo com você e deixei por último o mais interessante nesse programa que, por ser uma raridade para alguns paulistanos, é até diversão. E que a gente lucra quando a diversão é aliada ao trabalho. E foi o que me aconteceu. Recebi dos mestres feirantes valiosas lições de empreendimento, como lidar com clientes, como diferenciar o produto num mercado competitivo. E ainda sobrou tempo para tomar um caldo de cana com pastel. Indispensável.